Existem dois preços úteis por kWh
Uma única divisão nem sempre responde à pergunta certa. O preço variável por kWh serve para estimar quanto custa usar mais um aparelho. O preço total efetivo por kWh mostra quanto a eletricidade pesou realmente no orçamento durante aquele período.
A diferença está nos custos fixos. A potência contratada e algumas taxas continuam a existir mesmo que reduza ligeiramente o consumo. Incluí-las no custo de uma utilização isolada faria parecer que ligar um aparelho custa mais do que o aumento real da fatura.
- Use o preço variável para calcular aparelhos e hábitos.
- Use o preço total efetivo para analisar a despesa doméstica.
- Não compare tarifas usando apenas um número retirado do total.
Como obter o preço variável
Identifique na fatura as parcelas cobradas por kWh. Podem surgir separadas entre energia, acesso às redes e outros componentes variáveis. Some os valores variáveis já com os impostos que lhes são aplicáveis e divida pelo consumo faturado no mesmo período.
Exemplo simples: se as parcelas dependentes do consumo somarem 34,50 € para 150 kWh, o preço variável efetivo é 34,50 € dividido por 150, ou 0,23 €/kWh. É este o valor mais adequado para estimar o custo adicional de uma air fryer, aquecedor ou máquina de secar.
Se tiver uma tarifa bi-horária ou tri-horária, faça a conta separadamente para cada período. Uma média única pode esconder a diferença entre horas de vazio, cheias e ponta.
Como calcular o custo total efetivo
Divida o total final da fatura pelo número de kWh consumidos. Uma fatura de 54 € para 150 kWh corresponde a 0,36 €/kWh quando todos os custos são distribuídos pelo consumo.
Este valor é útil para acompanhar o orçamento e comparar meses semelhantes, mas aumenta quando o consumo desce porque reparte custos fixos por menos kWh. Por isso não deve ser introduzido automaticamente numa calculadora de aparelhos.
Guarde os dois resultados lado a lado. No exemplo, 0,23 €/kWh responde ao custo de consumir mais energia e 0,36 €/kWh descreve o custo global daquela fatura.
O que deve separar na fatura
A ERSE indica que a fatura deve discriminar potência contratada, consumo real ou estimado, preço da energia, tarifas aplicáveis, acesso às redes, período de faturação, taxas e impostos. A designação exata e a apresentação variam entre comercializadores.
A potência contratada é normalmente cobrada por dia e não depende dos kWh usados. A contribuição audiovisual, a taxa DGEG e outras parcelas também não devem ser misturadas sem critério com o custo variável de um equipamento.
- Consumo de energia em kWh.
- Preço e valor das parcelas variáveis.
- Potência contratada e outros custos fixos.
- Taxas, impostos, descontos e serviços adicionais.
Consumo real, estimado e acertos
Confirme se a fatura usa uma leitura real ou estimada. Um acerto pode juntar consumo de vários períodos e tornar a comparação mensal enganadora. Compare sempre os kWh e os dias faturados, não apenas o total a pagar.
Se o período tiver mais ou menos dias do que o habitual, converta o consumo para uma média diária antes de concluir que a casa ficou mais ou menos eficiente. Alterações de tarifa, IVA ou descontos também podem mudar o preço sem alteração de hábitos.
Como comparar duas propostas de eletricidade
Compare separadamente o preço diário da potência e o preço por kWh, usando a mesma potência contratada, o mesmo consumo anual e a mesma distribuição horária. Depois inclua descontos, duração, condições de pagamento e serviços obrigatórios.
Um desconto elevado pode incidir apenas numa parte da fatura ou terminar após alguns meses. O Simulador de Preços de Energia da ERSE permite comparar ofertas com um perfil comum. A sua própria fatura continua a ser a melhor base para introduzir consumo, potência e horários reais.
Que valor colocar nas calculadoras do PoupaTudo
Para calcular quanto custa usar um aparelho, introduza o preço variável efetivo por kWh. Se não conseguir separar todas as parcelas, use o preço unitário da energia indicado na fatura e trate o resultado como uma estimativa conservadora.
Teste também um cenário ligeiramente mais alto. Tarifas, impostos e condições contratuais podem mudar, e aparelhos com termóstato não consomem sempre a potência máxima. A calculadora mostra a fórmula para poder ajustar cada pressuposto.
